quinta-feira, 7 de maio de 2015

Perfil da Enfermagem: Após diagnóstico, Cofen cobra mudanças

07/05/2015

Presidente do Cofen cobra diálogo com o Ministério da Saúde, MEC e Congresso para melhorar a situação da profissão


O diagnóstico da profissão, revelado pela pesquisa Perfil da enfermagem, realizada pela Fiocruz por iniciativa do Cofen, aponta situações de desgaste profissional, subsalário, concentração regional e saturação do mercado de trabalho, com 10% dos profissionais relatando situação de desemprego aberto nos últimos 12 meses. “A realidade da Enfermagem mostra uma profissão que vem sendo desvalorizada e que é fundamental para a área de Saúde. Não se faz Saúde não só no Brasil, como em qualquer país do mundo, sem recursos humanos”, afirmou o presidente do Cofen, Manoel Neri, na apresentação dos dados nacionais, nesta quarta-feira (6/7).
A pesquisa, mais amplo levantamento sobre uma categoria profissional já realizado na América Latina, oferece um diagnóstico preciso de dificuldades que muitos profissionais conhecem na prática.  O resultado, detalhado também por Estado, permitirá uma compreensão mais precisa das realidades locais. “Trata-se de uma categoria presente em todos os municípios, fortemente inserida no SUS e com atuação nos setores público, privado, filantrópico e de ensino”, comenta a coordenadora-geral do estudo e pesquisadora da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz), Maria Helena Machado.
“Queremos diálogo com o ministério da Saúde. Cadê o ministro da Saúde neste lançamento?”, cobrou o presidente do Cofen, na apresentação da pesquisa. Os resultados da pesquisa devem subsidiar políticas públicas para melhorias no atendimento à população e enfrentamento das dificuldades vividas pelos enfermeiros, técnicos e auxiliares de Enfermagem, que representam mais da metade da força de trabalho da área de Saúde.
Saturação de mercado e má formação - Cerca de 27 mil profissionais de Enfermagem tem uma renda mensal menor que o salário mínimo e um elevado percentual (16,8%) declarou ter renda total de até R$ 1.000. Na avaliação do presidente Manoel Neri, os dados evidenciam a necessidade de aprovação de piso salarial para categoria e o mais controle sobre os cursos de formação. “O que vemos é a proliferação desordenada de cursos de qualidade duvidosa, e, mais recentemente, a formação por cursos de Educação à Distância, que considero um crime contra a Saúde da população brasileira”, afirmou, ressaltando a importância da mudança de postura do Ministério da Educação (MEC), responsável por autorizar o funcionamento dos cursos. 
Fonte: Ascom - Cofen

Pesquisa inédita traça perfil da enfermagem

06/05/2015

Diagnóstico da profissão aponta concentração regional, tendência à masculinização, situações de desgaste profissional e subsalário


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Fiocruz e Cofen apresentam dados da pesquisa à imprensa.
A enfermagem hoje no país é composta por um quadro de 80% de técnicos e auxiliares e 20% de enfermeiros. A conclusão é da pesquisa Perfil da Enfermagem no Brasil, cujos resultados também apontam desgaste profissional em 66% dos entrevistados e grande concentração da força de trabalho na Região Sudeste (mais da metade das equipes consultadas). O mais amplo levantamento sobre uma categoria profissional já realizado na América Latina é inédito e abrange um universo de 1,6 milhão de profissionais. O estudo foi realizado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), por iniciativa do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen).
De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a área de saúde compõe-se de um contingente de 3,5 milhões de trabalhadores, dos quais cerca 50% atuam na enfermagem. A pesquisa sobre o Perfil da Enfermagem, realizada em aproximadamente 50% dos municípios brasileiros e em todos os 27 estados da Federação, inclui desde profissionais no começo da carreira (auxiliares e técnicos, que iniciam com 18 anos; e enfermeiros, com 22) até os aposentados (pessoas de até 80 anos).
 “Traçamos o perfil da grande maioria dos trabalhadores que atuam do campo da saúde. Trata-se de uma categoria presente em todos os municípios, fortemente inserida no SUS e com atuação nos setores público, privado, filantrópico e de ensino. Isso demonstra a dimensão da pesquisa, que não contempla apenas os que estão na ativa, mas a corporação como um todo”, comenta a coordenadora-geral do estudo e pesquisadora da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz), Maria Helena Machado.
No quesito mercado de trabalho, 59,3% das equipes de enfermagem encontram-se no setor público; 31,8% no privado; 14,6% no filantrópico e 8,2% nas atividades de ensino.A pesquisa foi encomendada pelo Cofen para determinar a realidade dos profissionais e subsidiar a construção de políticas públicas. “Este diagnóstico detalhado da situação da enfermagem brasileira é um passo necessário para a transformação da realidade”, afirma o presidente do Cofen, Manoel Carlos Neri.
Renda mensal
Considerando a renda mensal de todos os empregos e atividades que a equipe de enfermagem exerce, constata-se que 1,8% de profissionais na equipe (em torno de 27 mil pessoas) recebem menos de um salário-mínimo por mês. A pesquisa encontra um elevado percentual de pessoas (16,8%) que declararam ter renda total mensal de até R$ 1.000. Dos profissionais da enfermagem, a maioria (63%) tem apenas uma atividade/trabalho.
Os quatro grandes setores de empregabilidade da enfermagem (público, privado, filantrópico e ensino) apresentam subsalários. O privado (21,4%) e o filantrópico (21,5%) são os que mais praticam salários com valores de até R$ 1.000. Em ambos, os vencimentos de mais da metade do contingente lá empregado não passa de R$ 2.000.
Masculinização
A equipe de enfermagem é predominantemente feminina, sendo composta por 84,6% de mulheres. É importante ressaltar, no entanto, que mesmo tratando-se de uma categoria feminina, registra-se a presença de 15% dos homens. “Pode-se afirmar que na enfermagem está se firmando uma tendência à masculinização da categoria, com o crescente aumento do contingente masculino na composição.
Essa situação é recente, data do início da década de 1990, e vem se firmando”, afirma a coordenadora.
Profissionais qualificados
O desejo de se qualificar é um anseio do profissional de enfermagem. Os trabalhadores de nível médio (técnicos e auxiliares) apresentam
escolaridade acima da exigida para o desempenho de suas atribuições, com 23,8% reportando nível superior incompleto e 11,7% tendo concluído curso de graduação. O programa Proficiência e outras iniciativas de aprimoramento promovidas pelo Sistema Cofen/Conselhos Regionais revelaram ampla penetração, alcançando 94,5% dos enfermeiros e 98% dos profissionais de nível médio (técnicos e auxiliares) que relatam participação em atividades de aprimoramento.
Desemprego aberto
Dificuldade de encontrar emprego foi relatada por 65,9% dos profissionais de enfermagem. A área já apresenta situação de desemprego aberto, com 10,1% dos profissionais entrevistados relatando situações de desemprego nos últimos 12 meses.
Concentração geográfica
Mais da metade dos enfermeiros (53,9%), técnicos e auxiliares de enfermagem (56,1%) se concentra na Região Sudeste. Proporcionalmente à população, que representa 28,4% dos brasileiros segundo o IBGE, a Região Nordeste apresenta a menor concentração de profissionais, com 17,2% das equipes de enfermagem.
Fonte: Fiocruz e Cofen

terça-feira, 5 de maio de 2015

Câmara dos Deputados fará sessão solene para comemorar Semana da Enfermagem – Fórum reivindica votação urgente

Os profissionais da enfermagem serão homenageados em sessão solene na Câmara dos Deputados dia 11 de maio, às 10 horas. A convocação oficial é feita pelo presidente da Casa, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), em atendimento a requerimento dos deputados Wilson Filho (PTB-PB) e Cármen Zanotto (PPS-SC), que acataram proposta do Fórum Nacional da Enfermagem – 30 horas já! que reúne em sua composição as entidades sindicais e profissionais CNTS, FNE, CNTSS, Anaten, Enenf, Cofen e ABEn.

O evento tem como finalidade primeira homenagear esses valiosos profissionais, responsáveis por 60% das ações em uma unidade de saúde, visando à promoção da saúde, prevenção de doenças, assistência e reabilitação. “O momento é também mais uma oportunidade para reivindicarmos a aprovação do PL 2.295/2000, que regulamenta a jornada em 30 horas semanais. A proposta já foi aprovada no Senado e há 15 anos tramita na Câmara dos Deputados, com mais de dois mil requerimentos da sociedade para inclusão na Ordem do Dia e conta com apoio de líderes para votação em regime de urgência”, ressalta o secretário-geral da CNTS e coordenador-geral do Fórum, Valdirlei Castagna.
Com assinaturas de líderes partidários que representam mais de 400 deputados, membros do Fórum protocolaram, no último dia 15, junto à secretaria da Mesa Diretora da Câmara, requerimento para votação em regime de urgência do PL 2.295. “O apoio conquistado é resultado das constantes atividades realizadas desde o mês de fevereiro no sentido de conscientizar os novos deputados e reforçar os argumentos junto aos reeleitos da importância de aprovação do projeto não somente para a categoria, mas também para a sociedade, que terá atendimento de melhor qualidade”, destaca Castagna.
Um manifesto com as justificativas do Fórum em defesa das 30 horas foi entregue aos novos deputados. O Fórum vai enviar convite aos deputados para prestigiarem a sessão solene, ao tempo em que reivindicam o apoio para a aprovação do projeto. “A jornada de 30 horas semanais é condição fundamental para a assistência segura e de qualidade”, afirma o presidente da CNTS, José Lião de Almeida.
O Fórum Nacional da Enfermagem reivindica a apreciação imediata da proposta sob os princípios da legalidade, com respaldo na Constituição Federal de 1988; da isonomia com outras categorias da saúde, que desfrutam da redução da jornada de trabalho, em virtude das peculiaridades de atuação; da saúde e segurança para o exercício profissional. “Esses profissionais lidam diretamente com o sofrimento, a angústia e a morte, sendo indispensável dispor de condições especiais de trabalho, o que inclui a regulamentação da carga horária”.
Outro fator que pode se agravar com a jornada de trabalho excessiva está ligado à manipulação de drogas e material pérfurocortante, pelo risco de contaminação por doenças infecto-contagiosas. Pesquisas mostram que o excesso de labor é responsável por 90% dos acidentes do trabalho. A fadiga e a perda de percepção decorrentes do desgaste físico e psicológico podem expor o usuário/cliente a erros de procedimentos, acidentes de trabalho e doenças ocupacionais.
Em reunião realizada dias 27 e 28 deste mês, os representantes das entidades aprovaram a Carta de Princípios e o regulamento do Fórum da Enfermagem e elegeram os coordenadores e vices das comissões internas – de finanças e contabilidade, de mobilização, de comunicação, jurídica e política parlamentar. “Foi uma reunião voltada para a organização interna, com o objetivo de definir o funcionamento e distribuir tarefas e responsabilidades para que as atuações não fiquem concentradas na coordenação do Fórum”, informou Castagna. Na reunião de maio o Fórum vai definir as atividades e mobilização para os próximos meses.

FONTE: CNTS

segunda-feira, 27 de abril de 2015



O QUE ESPERAR DA ENFERMAGEM BRASILEIRA?

Há muito tenho ouvido falar sobre o papel da Enfermagem na sociedade. Passei semestres inteiros estudando a evolução do seu conceito, como eram vistas as pessoas que compunham a sua força de trabalho e, principalmente, como a sociedade percebia as atividades da Enfermagem.

Dentre os vários períodos históricos pelos quais passamos, aquele denominado Idade das Trevas sempre me chamou a atenção. Uma figura no surrado livro de História da Enfermagem retratava mulheres bêbadas durante o exercício da assistência. E despertava em mim, ávido estudante de graduação, uma vontade louca de voltar no tempo e organizar toda aquela bagunça. A mesma vontade que eu sentia de mandar de volta para as seleções dos vestibulares aqueles estudantes que diziam estudar Enfermagem porque foi mais fácil passar na prova ou que os pontos obtidos no vestibular só foram suficientes para conseguir vaga nesse curso.
Ainda mais irritante era ter que ouvir um trágico “eu queria ser Médico (a), mas não tenho condições financeiras para tal. Por isso fiz Enfermagem”.
Enquanto vivia os apuros de minha graduação, cansei de ouvir fatídicos “Enfermagem? Mas você é tão inteligente! Por que não faz Medicina?” ou “Por que você não se esforça para estudar mais e ser médico?”. E tudo aquilo foi formando no meu inconsciente um portfólio da imagem que as pessoas tinham da profissão que eu havia escolhido pra mim.
Em tempos de fácil acesso aos ambientes acadêmicos, por questionáveis e obscuros meios – negligentemente aprovados pelo Ministério da Educação – a seriedade da formação acadêmica em Enfermagem é muitas vezes posta em cheque. Como ser um ótimo profissional se a faculdade na qual você recebeu a graduação não oferecia condições mínimas de aprendizagem? Como ser levado a sério se, quando confrontado com um ventilador mecânico de ultima geração, o profissional não sabe sequer o que fazer para ligá-lo, pelo simples fato de que, na faculdade, o único modelo disponível para prática era uma foto de um imenso e ultrapassado ventilador de uma UTI fadada ao fracasso assistencial?
O que, afinal, esperar da Enfermagem nos próximos anos, décadas ou séculos?
Apesar dos desencontros na sua estrutura/essência, a Enfermagem tem feito Ciência. E nada melhor que a Ciência incrustada no âmago de uma profissão para torná-la reconhecida como essencial e primorosa. A Enfermagem é, atualmente, uma das maiores produtoras de conhecimento científico do planeta. No Brasil, dentre todos os setores da área da saúde, a Enfermagem é campeã de produção científica.
Entre 2007 e 2009, a produção científica de enfermagem brasileira registrada pelos 35 programas de pós- graduação no sistema de avaliação da CAPES correspondeu a 5.194 artigos publicados em 595 periódicos. As autorias totalizaram 7.173, sendo 88,1% em periódicos e 11,9% em livros e capítulos de livros. No triênio, foram defendidas 1.517 dissertações de mestrado e 377 teses de doutorado. Os quantitativos da produção nos advertem para a necessidade de problematizar a utilidade social do conhecimento de Enfermagem e o compromisso em transformá-lo em bem-estar das pessoas, grupos e coletividades.

Quanto à difusão científica, o Fórum de Editores de Periódicos de Enfermagem da Associação Brasileira de Enfermagem (ABEn), desde sua criação, nos anos 1990, tem contribuído para a melhoria da qualidade dos periódicos. No ano de 2010, dos 112 periódicos científicos internacionais na Web of Science editados no Brasil, quatro são de Enfermagem: Revista Latino-Americana de Enfermagem, Revista da Escola de Enferma- gem da USP, Acta Paulista de Enfermagem e Texto & Contexto-Enfermagem. No ano de 2009, a visibilidade internacional da produção cientifica de Enfermagem brasileira foi marcada pela sexta posição no ranking mundial do SCIMAGO (Fonte: CABRAL, I. E.)
As recentes campanhas para esclarecimento do papel de cada categoria que compõe a Enfermagem, bem como a valorização do conhecimento e especialização entre os seus profissionais é um ponto a favor na evolução dessa Ciência/Arte.
Só nos falta a valorização e reconhecimento pela sociedade e a conscientização por parte dos estudantes e profissionais de Enfermagem a respeito do seu importante papel na promoção, recuperação e manutenção da saúde da população, bem como na prevenção de agravos.
Muito se fala sobre os fatídicos “erros fatais” dos profissionais de enfermagem. A midia inteira faz questão de divulgar amplamente que um (a) enfermeiro (a) fez isso ou aquilo para “matar” um paciente. Mas por acaso alguém dessa famigerada midia se preocupou em analisar as condições de trabalho dos profissionais em questão? De alguma forma se preocuparam em entender os motivos sócio-ambientais que circundam o erro? Ou sequer pararam para diferenciar a categoria à qual pertence o tal profissional? Não estou aqui para defender erros de ninguém. Mas será que custa tanto investigar a fundo o que realmente se passa na vida de um profissional de enfermagem no Brasil?
Vou além ao questionar: será que a midia se interessa em noticiar a conquista que a equipe de enfermagem de determinada instituição obteve ao conseguir eliminar as ulceras por pressão que assolavam os pacientes de uma UTI? Ou acaso noticiam a simples presença de um profissional de enfermagem que aliviou a dor (física e emocional) de um grande queimado com aconchegantes compressas de soro gelado e reconfortantes “Está tudo bem agora! Pode apertar a minha mão, se quiser!”?

Certamente, não noticiam!
No dia em que a Enfermagem brasileira conseguir entender o que representa para o seu país e se valorizar/orgulhar por isso; e atuar de forma consciente, baseada em todos os princípios científicos que subsidiam as teorias da assistência; e que se respeite; e que respeite o próximo; e que veja nas equipes que a compõe seus verdadeiros aliados; e que a sociedade entenda o valor de cada profissional; teremos então a Enfermagem que sonhamos e pela qual esperamos ansiosamente.
Fonte: http://saladeenfermagem.com/2012/01/12/post-inaugural-o-que-esperar-da-enfermagem-brasileira/ 

SINDROME DA ABELHA-RAINHA: OBSCURECENDO AS QUESTÕES ENTRE PROFISSIONAIS DE ENFERMAGEM | NURSING CRIB


SINDROME DA ABELHA-RAINHA: OBSCURECENDO AS QUESTÕES ENTRE PROFISSIONAIS DE ENFERMAGEM | NURSING CRIB

Síndrome da Abelha-Rainha: uma realidade na Enfermagem

Gentileza e cuidado têm sido muitas vezes considerados sinônimos de Enfermagem. Quando as pessoas mencionam “enfermeiros (as)”, eles (as) são muitas vezes vistos (as) como pessoas de fala mansa, de aparência gentil em jalecos brancos, capazes de fazer o bem para os outros. Há pessoas de fora da profissão que sempre imaginaram como deve ser trabalhar com esses anjos de bom coração. No entanto, o que eles não sabem é que uma certa escuridão e algumas coisas-não-tão-boas na verdade acontecem dentro das quatro paredes do hospital.
Sabe aquela sensação que você tem depois de concluir a graduação e obter o registro no conselho de classe e, finalmente, atribuir um “Enfermeiro (a)” (ou “Técnico (a) de Enfermagem” / “Auxiliar de Enfermagem”) ao seu carimbo depois de anos de trabalho duro e noites em claro? Você se sente em êxtase, certo? Isso tudo faz você sentir que todas as dificuldades que você experimentou na faculdade (ou escola de enfermagem) e durante a inscrição para o Conselho valeram a pena. Finalmente, você começa a atingir o seu sonho de se tornar um (a) Enfermeiro (a)/Técnico (a) de Enfermagem/Auxiliar de Enfermagem.
Bullying na Enfermagem
Depois de receber a sua licença do Conselho, a primeira coisa que os profissionais de enfermagem recém-formados fazem é procurar um emprego e trabalhar em uma unidade de saúde o mais rápido possível. Eles ficam tão animados para finalmente começarem as suas carreiras na enfermagem que alguns não vem preparados para lidar com todos os horrores de ser um novato na área.
Em cada unidade de saúde sempre haverá aquela pessoa que age como o “bom profissional de enfermagem” na frente dos colegas de trabalho, médicos e chefias, mas quando se trata de iniciantes, ela se transforma em uma abelha rainha e torna as vidas (e os primeiros meses no hospital) um inferno para os novatos. Esta questão é frequentemente denominada como “comer o fígado dos novatos” ou dos novos membros da equipe de saúde. E tal questão pode ser uma forma de assédio, intimidação, trotes entre outras coisas.
Este tratamento abusivo que os novos profissionais de enfermagem recebem da abelha rainha pode variar desde o mais simples e mais leve até o mais severo bullying. Para alguns, a questão pode parecer nova, mas ela já está presente há anos na profissão de enfermagem. A maioria dos profissionais passa por esta experiência desde os seus primeiros meses na área prática de atuação. Como alguns se submetem subservientemente a este tratamento, os chamadosprofissionais abelhas-rainhas fazem isso para o outro colega de profissão, e depois para o outro, de geração em geração. E este comportamento se transforma em um ciclo vicioso.
O segredinho sujo da enfermagem
Alguns estudos norte-americanos mostram que 60% dos novos enfermeiros deixam o seu primeiro emprego dentro de seis meses por causa dessa recepção danosa. Alguns podem experimentar uma forma de abuso verbal ou tratamento áspero de um colega durante os seus primeiros dias na profissão. Quando alguém se torna um alvo do bullying da enfermagem, acha difícil integrar-se e até mesmo se tornar um profissional competente.
Pode parecer um pequeno segredo sujo da enfermagem, mas esta questão tem que ser publicamente reconhecida. Não só danifica a imagem dos profissionais da área, mas também ocasiona muitas complicações no ambiente de trabalho. A questão é vista como algo que desestabiliza e derruba alguns enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem.
Os novos profissionais enfrentam muitas dificuldades quando começam as suas carreiras na enfermagem. Durante estes primeiros poucos meses, um número de ajustes devem ser feitos por parte desses profissionais. Eles tentam se enturmar e acompanhar as exigências de alguns profissionais auxiliares, técnicos ou enfermeiros e, por serem novos na profissão, muitas vezes não possuem suficiente autoconfiança nas suas capacidades assistenciais de enfermagem. Contudo, isto não deve detê-los, uma vez que devem aprender a lidar com pacientes doentes e as suas famílias, questões de vida e morte, além de todas as outras tarefas assistenciais e questões éticas durante a jornada de trabalho.
Alguns enfermeiros, técnicos ou auxiliares de enfermagem pensam que cometer bullying com os colegas os fazem mais resistentes e fortes. Contudo, não é isso que novos profissionais pensam. Em um tempo onde recém-admitidos na área se esforçam para acompanhar o ritmo e a rotina do seu ambiente de trabalho, os profissionais de enfermagem veteranos devem dar-lhes as boas-vindas com o suporte necessário e de braços abertos. Ao invés de abusar verbalmente deles, é melhor que os profissionais tratem uns aos outros com o respeito necessário. E que trabalhem como uma equipe. Com isto, não somente os novos profissionais serão beneficiados mas também os pacientes, por meio de um trabalho realizado de mãos dadas, com o objetivo de fornecer uma assistência de qualidade para aqueles que necessitam.
Fonte: Nursingcrib

PROFISSIONAIS DE ENFERMAGEM E REDES SOCIAIS: POLÍTICA DE USO DO FACEBOOK

PROFISSIONAIS DE ENFERMAGEM E REDES SOCIAIS: POLÍTICA DE USO DO FACEBOOK

Por que alguns enfermeiros e outros profissionais de enfermagem perdem seus empregos por causa de postagens no Facebook? Celebridades usam o site popular de rede social, repórteres de TV também usam, e as chances de que você e seus amigos usem-no também são altas. No entanto, os usuários podem ignorar os efeitos negativos que os sites de redes sociais podem ter em suas carreiras. Na área da saúde, as postagens no Facebook podem influenciar o processo de contratação, violar a privacidade do paciente e resultar em demissão.
A função fundamental do Facebook (e outros sites de redes sociais, como Twitter) é permitir que os “amigos” compartilhem informações. Amigos são pessoas que tenham concordado em se comunicar uns com os outros e permitir que outros tenham algum nível de acesso a informações pessoais. Qualquer pessoa com acesso à Internet pode entrar no Facebook, o site de rede social mais popular no mundo, e se conectar com os contatos. Em dezembro de 2012, o Facebook registrou mais de 1 bilhão de usuários ativos por mês, e mais de 680 milhões de usuários ativos mensais acessando o Facebook através de aparelhos celulares.

Facebook e demissões
Em março de 2010, 13 enfermeiros que atuam em Emergência em um hospital da Pensilvânia, nos Estados Unidos, foram demitidos pelo o que eles pensavam que seria um bate papo inocente e privado em um grupo on-line de Emergência.
Uma enfermeira foi demitida por postar: “Aquela senhora era louca”. A enfermeira nunca pensou que o que ela publicou na privacidade de sua própria casa resultaria em tal resposta.
Várias semanas depois, o hospital estabeleceu uma política sobre sites de redes sociais, que afirma que os pacientes tem o direito de receber cuidados sem ser objeto de um uma discussão no Facebook.
Em abril de 2010, um paciente mortalmente ferido chegou à Emergência de um hospital na Califórnia (EUA). Sua garganta foi cortada tão severamente que ele quase foi decapitado. De acordo com um funcionário do hospital, em vez de se concentrar no tratamento do paciente, os enfermeiros e outros funcionários do hospital tiraram fotos do homem e postaram no Facebook. O homem logo morreu. Uma das fotos foi postada em contas públicas do Facebook por vários dias até que alguns colegas de trabalho relataram a situação aos superiores do hospital. Quatro funcionários foram posteriormente demitidos, mas nenhum dos enfermeiros.
Vários meses depois, cinco enfermeiras foram demitidas em outro hospital da Califórnia depois que os gerentes de enfermagem descobriram que elas estavam discutindo sobre pacientes no Facebook. Após este incidente, o hospital solicitou que seus funcionários assinassem um acordo de mídia social ressaltando que mesmo que um paciente não seja identificado por nome ou número de registro em um post do Facebook, outras informações poderiam identificar o paciente.
No verão de 2010, uma enfermeira da cidade americana de Michigan ficou chocada quando foi demitida por desabafar no Facebook. Como muitos outros moradores de sua cidade, ela estava chateada quando um policial foi morto a tiros após perseguir um suspeito. Ela tratou o atirador como parte de seus deveres como uma enfermeira. O problema resultou quando ela postou no Facebook que ela “ficou cara a cara com um assassino de policiais e esperava que ele apodrecesse no inferno.” Ela foi demitida por disseminação, no Facebook, de informações de saúde protegidas sobre um paciente. Ela facilitou a identificação do paciente, mesmo sem revelar seu nome. Seu chefe também notou que ela usava comentários depreciativos.
Estudantes de enfermagem não estão imunes a problemas com as postagens no Facebook. Em novembro de 2010, uma faculdade comunitária jubilou (termo utilizado quando se expulsa um estudante universitário) uma estudante de enfermagem por postar uma foto de si mesma no Facebook posando com uma placenta humana. No entanto, um juiz federal derrubou a expulsão alguns meses mais tarde, notando que ela tinha recebido permissão para tirar a fotografia e não houve violação da confidencialidade do paciente. Não havia nada nas fotos para identificar de quem era a placenta.
Outro estudante de enfermagem foi expulso de uma universidade por causa de um post em sua página do MySpace (rede social muito popular antes da Era Facebook). O estudante postou o que muitos consideraram como descrições de mau gosto e ofensivas de sua impressão ao assistir a um parto. A universidade o acusou de violar a confidencialidade do paciente e de outras políticas. A expulsão foi anulada pelo Tribunal Distrital dos EUA, porque a postagem não foi criada ou usada em um contexto profissional. O tribunal disse que, se a escola de enfermagem queria que os padrões de profissionalismo, conforme descrito em seu código de honra, fossem aplicados a todas as condutas de um aluno em todos os lugares, em todos os momentos e em todos os contextos, deveria ter dado uma notificação justa e explicado isso claramente.
É claro que os profissionais de enfermagem não são os únicos a se meter em confusão por causa de postagens no Facebook. Aqui estão alguns exemplos em outros campos profissionais:
  • Uma adolescente foi demitida por dizer que seu trabalho era “chato.” Ela também fez comentários sobre como era maçante rasgar e digitalizar papel
  • Uma mulher ficou doente alegando que era por causa de uma enxaqueca. Ela também reivindicou que a luz do computador incomodava seus olhos e que ela precisava estar em um quarto escuro. Quando seu patrão a pegou usando seu computador para acessar o Facebook, ela foi demitida.
  • Um professor universitário foi demitido depois de postar sobre ter um dia ruim e perguntar se alguém poderia encontrar um “assassino discreto.” Ao fazê-lo, a universidade disse que ele tinha o direito de ser cauteloso depois que um professor em outra universidade matou três colegas professores.
  • Uma garçonete foi demitida de seu emprego em uma pizzaria depois de postar um comentário no Facebook sobre dois clientes que estavam sentados à mesa por três horas e deixaram apenas uma gorjeta de US$ 5. Embora ela não tenha mencionado os nomes dos clientes, ela citou o nome do restaurante.
  • Uma policial veterana foi demitida por postar no Facebook que ela era viciada em maconha e outras drogas. Embora ela tenha afirmado que isso era uma piada, a cidade ainda a demitiu.
  • Uma líder de torcida da National Football League foi cortada da equipe graças a imagens polêmicas em sua página no Facebook. A líder de torcida de 18 anos de idade estava em uma festa de Halloween, quando ela posou para fotos com um homem coberto com pichações ofensivas, incluindo observações anti-semitas, palavrões e suásticas.
Então, por que nós temos esses tipos de problemas? Se você pensar sobre isso, o conteúdo das redes sociais não é novo. As pessoas sempre falaram sobre seus chefes, colegas e empregos quando estavam no horário do almoço. A diferença é que a rede social oferece maiores audiências e um arquivo permanente desses comentários.
A necessidade de regras de privacidade
Intencional ou inadvertidamente, os funcionários podem usar as mídias sociais no trabalho ou em casa, de certas formas que representam riscos legais para seus empregadores. Estes devem, por sua vez, dar uma resposta para a parte ofendida ou enfrentar a perda de potencial de negócios. Aqui estão quatro exemplos dos riscos que uma empresa corre com as postagens equivocadas:
  • Os funcionários podem se engajar em conduta inadequada por postar comentários discriminatórias, insultos raciais ou insinuações sexuais e criar um ambiente de trabalho hostil.
  • Os funcionários podem criar instabilidade no mercado de trabalho através da publicação de fofocas, rumores ou declarações falsas sobre colegas de trabalho ou supervisores.
  • Os funcionários podem, inadvertidamente, revelar informações que permitem que outros coletem informações confidenciais ou proprietárias.
  • Os funcionários podem prejudicar a reputação do empregador por postar comentários inadequados ou imagens que podem refletir negativamente sobre o empregador. Por exemplo, se os funcionários postarem declarações sobre a conduta ilegal fora do trabalho, a conduta poderia ser atribuída ao empregador.
Um fato que pode levar a uma quebra de sigilo é quando alguns funcionários do hospital acham que é aceitável falar publicamente através das redes sociais sobre os pacientes. Os profissionais de saúde estão sujeitos a estrita privacidade e regras de segurança decretadas em 1996 com o Health Insurance Portability and Accountability Act, ou HIPAA. A Regra de Privacidade, que entrou em vigor em 2003, define normas nacionais para proteger as informações pessoais de saúde e registros médicos. Ela também deu aos pacientes direitos sobre a sua informação de saúde, incluindo o direito de examinar e copiar seus registros de saúde. A regra de segurança, que entrou em vigor em 2005, estabelece padrões para proteger as informações de saúde que foram realizadas ou transferidas de forma.
As pessoas podem violar os regulamentos através da partilha de dados do paciente, mesmo sem mencionar o nome dele. Por exemplo, se um empregado do hospital tem uma conversa casual sobre um paciente no elevador, ou em qualquer lugar, de forma que outras pessoas que não estão envolvidas no cuidado do paciente escutem o comentário, esta poderia ser uma violação do HIPAA. Enfermeiros e outros profissionais de saúde sabem que é eticamente errado descrever esta informação na frente dos outros. O desafio para todos os profissionais de saúde é perceber que esses mesmos padrões éticos também se aplicam a conversas on-line.

Em 2009, o governo reforçou a aplicação do HIPAA, adotando a Tecnologia de Informação em Saúde (ou HITECH) para a Regra de Privacidade em Saúde Econômica e Clínica, que aumentou as penas para violações da HIPAA. Por exemplo, o limite original de US$ 25.000 para múltiplas violações de uma disposição aumentou para US$ 1,5 milhão.
Organizações são obrigadas a realizar uma análise para determinar os riscos de segurança e estabelecer procedimentos para reduzir os riscos e vulnerabilidades. Nem todos os riscos de segurança são corrigidos ou tratados com tecnologia cara. Treinamento extra e supervisão gerencial também podem ser eficazes e reduzirem custos com ações judiciais.
Fonte: http://saladeenfermagem.com/2013/10/09/profissionais-de-enfermagem-e-redes-sociais-politica-de-uso-do-facebook/