sexta-feira, 5 de julho de 2013

Mesa de Debates: Jornada de 30 Horas para a Enfermagem - Campinas-SP

Jornada de 30 Horas para a Enfermagem em discussão:

O mandato do vereador Pedro Tourinho realizou o debate 30 Horas Já, para discutir a redução da jornada de trabalho semanal dos profissionais de enfermagem, em tramitação no Congresso Nacional. 

O debate foi realizado no dia 4 de julho, no Plenário da Câmara Municipal de Campinas. 

Participei da Mesa de Debates enquanto Presidente do Grupo de Trabalho para analisar e propor as providências a serem tomadas visando à implantação da jornada de 30 horas para os profissionais que atuam diretamente nas atividades de assistência realizadas na área da saúde da UNICAMP.

Portaria GR - Gabinete do Reitor - 046/2013

Enfº Adilton Dorival Leite

terça-feira, 2 de julho de 2013

Veta Dilma!


Faça parte dessa corrente. Assine a petição - DILMA, VETE O ATO MÉDICO. 










30 HORAS para a ENFERMAGEM JÁ!

VETA DILMA!

VAMOS PRESIDENTA DILMA VETA ESSE ATO MÉDICO!!!

‘Revoltas’ decretam o fim do ciclo de redemocratização, diz docente


























Quando manifestações começaram, no início de junho, professor de filosofia terminava livro sobre a história política do Brasil e utilizou esforço para decifrar a voz das ruas

“O país já mudou”, afirma Marcos Nobre, professor do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Unicamp, autor de livro (e-book) que acaba de ser lançado sobre a onda de protestos que tomou conta do país nas últimas semanas. “As pessoas perguntam: aonde vai dar esse movimento? Já deu em algum lugar. A cabeça das pessoas mudou, a cultura do país mudou. Sobretudo, mostrou que a cultura política que está na sociedade, essa cultura democrática, está muito mais avançada que a do sistema político brasileiro”, explica.
“Choque de Democracia – Razões da Revolta” foi escrito em dez dias, no calor dos acontecimentos, mas como desdobramento de um trabalho maior que Nobre realiza sobre a história política do Brasil, analisando o período entre 1979 e a eleição da presidente Dilma Rousseff, em 2010, e que resultará em um livro a ser lançado no segundo semestre. Segundo o professor, os acontecimentos de hoje marcam o final da fase que ficou conhecida como “redemocratização”. Leia a entrevista:
Jornal da Unicamp – Por que o senhor deu ao livro o nome “Choque de Democracia”?
MARCOS NOBRE – Há um discurso no Brasil, durante décadas, desde 1989, no qual essa palavra “choque” vem sendo usada. Houve o “choque de capitalismo”, o “choque de gestão” e, durante as manifestações, houve a “tropa de choque”. A palavra é usada sempre num sentido que não inclui a democracia, essas forças vivas da sociedade, como se fosse necessário ao sistema político ter um choque para se organizar.
JU – E agora ocorreu um choque no sentido contrário?
NOBRE – Exatamente isso. Queria usar essa ideia. Esse choque veio de onde não esperavam. Trata-se, justamente, de um choque de democracia. Não é um choque de gestão, não é um choque de capitalismo nem tropa de choque. Tínhamos um travamento do sistema político que foi rompido com esse choque.
JU – E por que as manifestações foram chamadas de “Revoltas de Junho”? Que elementos essas mobilizações possuem para serem consideradas revoltas?
NOBRE – Existem canais que são de protesto. Protestos são coisas que ocorrem normalmente em uma democracia. Então, a expressão mais óbvia seria: “protestos de junho”. Mas, na verdade, é um pouco mais que isso. É o fato de que a sociedade não estava encontrando caminhos para expressar o seu protesto, a sua insatisfação, da maneira como o sistema político estava operando, e se revolta também contra essa falta de canais de expressão. Quando aconteceu a repressão policial, as pessoas se disseram: ‘não conseguimos mais influenciar esse retorno político, de maneira alguma; ele se fecha nele mesmo, funciona segundo suas próprias regras e não presta conta à sociedade; e quando tentamos, o sistema quer, ainda por cima, soltar a polícia’.
É uma revolta pelo direito de se manifestar, pela abertura de canais entre a sociedade e o sistema político. Por isso, é mais do que um protesto. Coloquei no plural [revoltas] e isso é muito importante, porque não há uma unidade de reivindicações, de foco, a organização é diferente. As pessoas estão expressando insatisfações de muitos tipos, de muitos níveis, como posso encontrar uma unidade e um traço de união? O que encontrei foi essa revolta contra o sistema, tal como ele está operando, com essa blindagem contra a influência da sociedade.
JU – Em quanto tempo o senhor produziu o livro e como trabalhou nele?
NOBRE – Faz seis anos que estou produzindo um livro da história política do Brasil, de 1979 até a eleição da Dilma Rousseff (2010). Quando estava nos últimos ajustes, eclodiram as revoltas. Houve uma coincidência muito impressionante. No livro, tentava mostrar como e por que, de que maneira, esse sistema foi se fechando nele mesmo, foi se blindando contra as ruas. No final, eu dizia que isso não ficaria assim. Não é possível que fique assim, porque numa democracia você precisa ter canais abertos para mudar e alterar o sistema político. É como se as ruas tivessem atropelado os últimos parágrafos do meu livro. Deixei de lado o livro, que deve sair no segundo semestre, e passei a usar as análises que fiz durante os seis anos para entender esses protestos. Foi como se tivesse construído certa sistematização teórica na qual achava possível compreender o que estava ocorrendo. Por isso, foi possível fazer o trabalho em dez dias.
JU – É isso, essa blindagem, que o livro destaca como sendo “peemedebismo”?
NOBRE – “Peemedibismo” é o nome que dou para essa blindagem do sistema contra a sociedade.
JU – Como poderíamos definir o “peemedebismo”?
NOBRE – O impeachment do presidente Fernando Collor é um marco muito importante [1992] no processo de redemocratização do país. Por um lado, esse processo mostrou que as ruas queriam retomar o poder que achavam ter sido usurpado, mal utilizado. De outro lado, pelo sistema político, houve certo pânico. Lembrando que tivemos uma transição ‘morna’ para a democracia, pactuada pelas elites. No momento do impeachment, essas elites, que pactuaram a transição, ‘disseram’: “como faremos para nos proteger contra isso, porque não é possível que toda a hora que um presidente for mal, as pessoas irão às ruas e retiram o mandato”. Foi uma estratégia defensiva.
Manifestantes protestam em frente ao Congresso, em Brasília, em 20 de junho
JU – E como foi construída essa blindagem?
NOBRE – De forma progressiva. Boa parte da opinião pública aceitou a versão de que o presidente caiu porque não tinha base parlamentar suficiente. Daí nasceu o mito das “supermaiorias”, de que é necessário, para qualquer governo se manter e não sofrer impeachment, construir não só a maioria, mas a supermaioria, alguma coisa que atinja para além dos três quintos de votos necessários para fazer reformas constitucionais. Assim, o sistema político podia continuar operando como sempre e, ao mesmo tempo, com o fato de que os governos eleitos estariam presos a essa supermaioria, todo presidente teria a obrigação de fazer um pacto com esse sistema político.
JU – E por que o senhor chama isso de “peemedebismo”?
NOBRE – Porque o PMDB foi quem primeiro, na década de 80, inventou essa “tecnologia”. Se olhar o resultado da eleição de 1986, verá que o PMDB elegeu a maioria esmagadora na Assembleia Nacional Constituinte, em aliança com o PFL, que tinha feito a Aliança Democrática para eleger Tancredo Neves. Ali se criou na Constituinte uma coisa chamada “Centrão”, que era justamente uma maneira de neutralizar ao máximo as reinvindicações populares. Esse sistema elitista queria dar um jeito de impedir que essas forças de transformação se unificassem. O “peemedebismo” nasce um pouco daí. Na verdade, essa ‘tecnologia’ começa no MDB, durante a ditadura, que obrigou todo mundo a ficar num único partido de oposição. Forças completamente heterogêneas e incompatíveis tinham que se entender dentro do mesmo partido.
JU – Isso tudo resulta nessa crise de representatividade que vive o país?
NOBRE – Há uma crise de representação, com certeza, mas você não pode ter a concepção de uma representação clássica. A sociedade contemporânea, do final do século XX e início do século XXI, inventou formas de representação e participação que não se restringem ao legislativo e à eleição de cargos no executivo. Com certeza, o que está se dizendo [nas ruas] é que as diferentes formas de participação, não só do legislativo e do executivo, não estão funcionando.
JU – É como se a representação estivesse sofrendo uma “mutação”?
NOBRE – Ela está se transformando há algum tempo. O que acontece nas revoltas, é que elas dizem que não está funcionando em nenhum nível. Nem no conselho de segurança do bairro, nem no conselho de saúde da cidade. O horizonte se abriu com as manifestações. Se olharmos a proposta do governo, essa coisa que era constituinte e agora é um plebiscito, está sendo moldada e discutida conforme é encaminhada. Não é uma ideia fechada. Está ocorrendo uma disputa política de como podem ser encaminhados os problemas levantados pela sociedade. A sociedade disse: se vocês quiserem continuar sendo o sistema política brasileiro, vão ter que mudar.
JU – Inicialmente, vários setores da sociedade, como a imprensa, partidos políticos, os próprios políticos e o governo, não compreenderam bem o que estava se passando, alguns chegaram a criticar as mobilizações...
NOBRE – O sistema político, como um todo, ficou atônito e não conseguiu entender as manifestações. Por que isso aconteceu? Vamos voltar ao impeachment do Collor e para as “Diretas Já”. O que temos nas “Diretas Já”? Uma frente contra a ditadura. Você tem uma espécie de unidade forçada, na qual as pessoas deixam as diferenças de lado para um objetivo comum. No impeachment é a mesma coisa. É isso que chamo de “unidade progressista”. As pessoas deixam de lado as suas diferenças políticas, as razões pelas quais foram às ruas, em razão do impeachment. Se olharmos para as revoltas de junho, não há unidade. Não é organizada por nenhum partido, movimento social de massa, por sindicato, por ninguém. Não há palanque. Pela primeira vez temos um protesto que não tem essa unidade forçada, que caracterizou esse processo de redemocratização brasileiro. Não falo em unidade, falo em traço de união das diversas revoltas porque elas têm isso em comum: ser um processo contra um sistema enquanto tal como ele está funcionando, ou seja, contra o “peemedebismo”. Não tem mais unidade e isso significa que acabou nosso processo de redemocratização. Isso é bom. As forças políticas estão juntas na rua, mas são, às vezes, incompatíveis, e estão ali também para disputar o sentido desse movimento.
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Serviço
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Leia também:
O que vemos nas ruas?
O que o futuro nos reserva?

Veja também sobre o tema:
Vídeo - TV Unicamp
Programa Diálogo sem Fronteira, com o tema Movimentos Sociais no Brasil Atual 
Participação do filósofo, sociólogo e cientista político José Augusto Guilhon Albuquerque, e apresentação do historiador e arqueólogo Pedro Paulo Funari 
Fonte:

O que o futuro nos reserva?

O que o futuro nos reserva?








Uma rápida pesquisa na internet revela que uma frase da história do país “ressuscitou” a partir de 17 de junho, quando houve o primeiro recorde simultâneo de manifestantes nas ruas. “A única coisa que mete medo em político é o povo na rua”, dizia o político Ulysses Guimarães (1916-1992), presidente da Assembleia Constituinte de 1987-1988. Dita no contexto daquele período, a frase tem sido usada por todo tipo de usuário na rede mundial de computadores. De fato, a última semana de acontecimentos no país demonstra bem os motivos da redescoberta dessa máxima que pareceu “dormir” por décadas.

Ouvidos pelo Jornal da Unicamp no decorrer dos desdobramentos recentes, professores das áreas de sociologia, ciências sociais, filosofia e economia, traçaram caminhos possíveis para as manifestações de rua: a força dos protestos poderia acabar e resultar em desarticulação; ou a agenda, de alguma forma, poderia ser absorvida pelo país. Até o momento, este último parece ser o rumo tomado, para o futuro, pelas manifestações que ocuparam ruas do Brasil.
“Nenhum político sabe hoje o que vai acontecer com ele amanhã”, afirmou o sociólogo Ricardo Antunes, professor da Unicamp. “Nada sabemos sobre o futuro desses movimentos, pois estamos no calor dos acontecimentos, mas, quaisquer que sejam suas consequências, o país não será mais o mesmo. Saímos do cenário letárgico que nos encontrávamos. Os movimentos existentes no mundo, todos eles, da Tunísia à Turquia, da Espanha aos EUA, passando pela Grécia, Itália, Portugal, Reino Unido, demonstram que começam a florescer e exercitar manifestações mais suscetíveis às ações de massa, de grande envergadura, nas praças e ruas públicas; mais plebiscitárias e menos institucionalmente representativas. Embora elas tenham uma conformação frequentemente policlassista, seu centro, seu eixo mais acentuado, se encontra nas forças populares. E, em grande medida, expressam um profundo descontentamento com o modo de vida destrutivo que hoje domina, no qual quase tudo se tornou mercadoria, da saúde à educação, da política ou transporte.”
Para entender o que já mudou, basta observar o noticiário dos dez dias posteriores a 19 de junho, quando a Prefeitura e o Governo de São Paulo reduziram o preço das passagens do transporte urbano, atendendo à reivindicação que serviu como estopim para os protestos, sob a bandeira do Movimento Passe Livre (catalisador das mobilizações que levaram milhares de brasileiros às ruas). Desse anúncio em diante, 14 capitais no total reduziram tarifas; o aumento do pedágio em 15 rodovias federais foi suspenso, situação igual à das estradas estaduais de São Paulo; e o preço da energia elétrica não subiu no Paraná, entre outras novidades, para falar apenas das ações sob a competência do poder Executivo. No dia 26 de junho, a Prefeitura de São Paulo cancelou uma licitação de ônibus estimada em R$ 46 bilhões em 15 anos.
“Num quadro otimista, podemos pensar que os governos irão encampar demandas de melhorias substanciais na saúde, na educação, no transporte, no gasto público, com demandas que revertem efetivamente para a maior parte da população”, disse o sociólogo Marcelo Ridenti, da Unicamp, ouvido logo após a decisão sobre a passagem em São Paulo, e antes dos demais desdobramentos citados, antevendo o que ocorreria, de fato, no país.
No dia 24 de junho, a presidente Dilma Rousseff anunciou um pacote de medidas, que chamou de “pactos em favor do Brasil”, propondo um plebiscito (primeiro, sobre uma assembleia constituinte exclusiva; depois, apenas sobre a reforma política), transformar a corrupção em crime hediondo, investir mais na mobilidade urbana e na saúde (incluindo a contratação de médicos estrangeiros), desonerar impostos do setor de transportes públicos e destinar 100% dos royalties do petróleo do pré-sal para a educação. O pacote incendiou o debate político.
“A questão da mobilidade urbana entrou na agenda política como uma importante questão de política pública”, avaliou o economista Gustavo Zimmermann, da Unicamp. “A partir dessa nova agenda que na realidade é mais ampla e inclui a implantação de um verdadeiro ‘Estado do Bem Estar’, a profundidade das ações nestas áreas dependerá de um longo aprendizado dos setores até hoje marginalizados e dos operadores do Estado que muito raramente enfrentaram as questões de qualidade.”
Na esfera do Legislativo, questões que se arrastavam há anos foram resolvidas em dias. A proposta de emenda constitucional número 37, apresentada em 2011 e que limitaria o poder de investigação do Ministério Público, caso fosse aprovada, foi derrubada em 25 de junho pelo placar de 430 (dos 513 deputados federais) a 9 – e dois destes disseram que erraram ao votar. Quando ela chegou ao Congresso, no calor dos acontecimentos do “Mensalão” e de outras investigações, a proposta recebeu 207 assinaturas favoráveis e dependia de 308 votos para ser aprovada. A bandeira da PEC-37 surgiu nas ruas, entre as diferentes pautas lançadas. “Passamos por uma situação desfavorável de opressão e pressão. Só que um vento divino mudou tudo. Na undécima hora, quando tudo parecia perdido, o povo foi às ruas. Precisamos agradecer a população”, disse o presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República, Alexandre Camanho, em entrevista ao jornal O Globo. Ao ser questionado sobre o futuro do país depois das manifestações de junho, o cientista político Luiz Werneck Vianna, da PUC-RJ, disse que a mobilização popular deveria ser absorvida, assimilada, e não poderia ser negada. “Tem que ser como na luta do judô, quando se usa a força do adversário contra ele. É uma metáfora um pouco ruim, porque não é para virar contra ele, mas para virar em favor de uma solução que traga toda essa energia que as ruas manifestaram para o reforço da vida institucional.”
Outro projeto aprovado a reboque dos acontecimentos, após dois anos de tramitação, muda o Código Penal e transforma em crime hediondo os delitos de corrupção (ativa e passiva) e de concussão. Votado no Senado, a alteração seguiu para votação na Câmara. Outra novidade, foi a aprovação da aplicação de royalties do petróleo para a educação (75%) e saúde (25%), além da desoneração de tributos incidentes sobre o transporte público municipal.
“O nível de mobilização, hoje, é excepcional. No entanto, ele será, num futuro próximo, muito superior ao dos últimos dez anos. Pode ser que haja uma acomodação, mas ela ocorrerá num patamar muito superior ao que era”, avaliou o sociólogo Ruy Braga, da USP. Segundo o professor, as redes sociais, em particular o Facebook, tornaram-se um meio para expressar o aprendizado político dos setores mais jovens.
Coincidência ou não, na esfera do Judiciário, o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou (26/06) à prisão imediata o deputado federal Natan Donadon (PMDB-RO) por desvios de recursos na Assembleia Legislativa de Rondônia nos anos 90, na primeira decisão desse tipo desde o final do regime militar. O parlamentar estava condenado desde 2010, pelo próprio STF, e vinha recorrendo da decisão. Ele foi preso no dia 28 de junho.
Ao falar sobre o futuro do país, o professor do Instituto de Economia da Unicamp José Dari Krein elencou três questões que merecerão atenção do setor público: melhorar os serviços públicos, realizar uma reforma política para incorporar outras formas de organização e democratizar a comunicação no país. “Somente 40% da população brasileira está conectada na internet, o que também expressa, até o momento, um perfil dos que estão nas ruas. A democratização da mídia e do acesso na internet ainda não é uma realidade no país.”
No contexto atual, o pior cenário imaginado pelo professor de filosofia José Arthur Giannotti, da USP, seria o aparecimento de um “salvador da pátria”. “Vivi a época de Jânio Quadros, a época Collor, estava sentindo que estamos entrando em um impasse no qual aparece um ‘salvador da pátria’, o que seria a pior solução possível”, disse. “Ao invés desse desastre, creio que a melhor solução seria criar uma frente parlamentar interpartidária com uma agenda precisa de reformas, sempre com apelo popular.”
Diante de acontecimentos tão inusitados e novos na cena política brasileira, e nas ruas, o filósofo Roberto Romano, da Unicamp, propõe uma nova visão de pesquisa para entender a mobilização. “Todos os conceitos que nós temos em termos sociológicos, históricos, por exemplo, deveriam ser suspensos para que pudéssemos realizar uma fenomenologia do que está acontecendo, uma descrição, a mais exata possível, de todas as tendências, de todas as reinvindicações, de todas as iniciativas que estão aparecendo, para que possamos, daqui um tempo, ter condições de entender razoavelmente o que está acontecendo”, afirmou. (Alessandro Silva)

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Fonte:
http://www.unicamp.br/unicamp/ju/567/o-que-o-futuro-nos-reserva